
São Tomé e Príncipe · 9 min
Roças de São Tomé e Príncipe: as 12 Que Vale a Pena Visitar (2027)
Luciano Baetz · 11 de outubro de 2026
As roças de São Tomé e Príncipe que vale a pena visitar: Agostinho Neto, Monte Café, Água Izé, São João dos Angolares, Sundy e Belo Monte, a história do cacau e onde dormir numa roça.
Quais são as roças de São Tomé e Príncipe que vale a pena visitar? As mais impressionantes são a Roça Agostinho Neto, com o seu antigo hospital e a longa avenida de edifícios coloniais; a Roça Monte Café, com o museu do café; a Roça Água Izé, a maior do arquipélago; a Roça Sundy, no Príncipe, onde se confirmou a teoria de Einstein; e a Roça São João dos Angolares, famosa pelos almoços do chef João Carlos Silva. Visitar as roças é a melhor forma de perceber a história e o presente de São Tomé e Príncipe.
Para uma visão geral do país, do que visitar ao clima, aos preços e à segurança, vê o nosso guia de turismo em São Tomé e Príncipe.
Neste guia explicamos o que é uma roça, quais visitar em cada zona das duas ilhas, em quais se pode dormir e como encaixá-las num roteiro, com as recomendações da nossa equipa local.

Ruínas de uma antiga roça engolidas pela floresta tropical. Foto: Príncipe Collection
O que é uma roça em São Tomé e Príncipe
Em São Tomé e Príncipe, roça é o nome das grandes plantações agrícolas criadas no período colonial, sobretudo para o café e o cacau. Cada roça era uma pequena cidade: casa do administrador, hospital, armazéns, secadores de cacau, oficinas, capela e as sanzalas, as casas dos trabalhadores. Algumas tinham caminho de ferro próprio e ligação ao mar.
Depois da independência, em 1975, as roças foram nacionalizadas e muitas entraram em declínio. Hoje há de tudo: roças em ruína engolidas pela floresta, roças onde vivem comunidades inteiras nas antigas sanzalas e roças recuperadas como hotéis de charme e restaurantes.
Uma história de café, cacau e trabalho forçado
No século XIX, o café e depois o cacau transformaram as ilhas. No início do século XX, São Tomé e Príncipe chegou a ser um dos maiores produtores de cacau do mundo. Essa riqueza assentou no trabalho de contratados trazidos de Angola, Cabo Verde e Moçambique, em condições muito duras — uma história que ainda pesa e que os guias locais contam sem rodeios.
Visitar uma roça é, por isso, mais do que ver edifícios bonitos: é perceber como se formou o país e conhecer as comunidades que hoje vivem nesses lugares. Contamos a parte do cacau no artigo sobre o cacau de São Tomé.
Roças a visitar na ilha de São Tomé
Roça Agostinho Neto (norte)
Antiga Roça Rio do Ouro, rebatizada depois da independência com o nome do primeiro presidente de Angola, a Roça Agostinho Neto é uma das mais impressionantes do país. Uma longa avenida sobe entre edifícios coloniais até ao antigo hospital, um edifício monumental hoje em ruína. Fica a cerca de meia hora da capital, no caminho para a Lagoa Azul, e ainda hoje é habitada por centenas de pessoas.
Roça Monte Café (centro)
Nas terras altas, acima da Trindade, a Roça Monte Café foi fundada no século XIX e tem um pequeno museu do café que mostra o processo desde a planta até à chávena. É o ponto de partida da Rota do Café, com o fresco da altitude e vistas sobre a floresta.
Roça Saudade (centro)
Também nas terras altas, a Roça Saudade é o lugar onde nasceu o artista Almada Negreiros, em 1893. Tem um espaço dedicado à sua memória e um restaurante com vista sobre a floresta, uma paragem perfeita para almoçar na Rota do Café.
Roça Água Izé (costa este)
A Roça Água Izé é a maior do arquipélago e uma das primeiras a cultivar cacau em São Tomé. Os edifícios em ruína à beira-mar, o antigo hospital e os armazéns contam a história do cacau que fez do país um dos maiores produtores do mundo. Fica no caminho para o sul.
Roça São João dos Angolares (sul)
Recuperada e com vista sobre a baía, a Roça São João dos Angolares é famosa pelos longos almoços de cozinha santomense criativa do chef João Carlos Silva, com uma sucessão de pequenos pratos feitos com produtos da ilha. Tem também quartos e uma galeria de arte. Reserve com antecedência.
Roça Diogo Vaz (noroeste)
Para lá de Neves, na costa noroeste, a Roça Diogo Vaz está ligada à produção de cacau de qualidade e fica numa das zonas mais bonitas e menos visitadas da ilha, perto do túnel de Santa Catarina e das praias de areia negra.
Roça Bombaim e as roças do interior
No interior da ilha, entre a floresta e os rios, há várias roças mais isoladas, algumas com alojamento simples. São boas bases para caminhadas no Parque Natural Ôbo, mas exigem estradas lentas e, por vezes, 4x4.

Viagem em destaque
Viagem São Tomé e Príncipe com Voos: 9 Dias de Roças, Praias e Ilhéu das Rolas
Circuito de 9 dias com voos diretos de Lisboa, meia pensão, guia do primeiro ao último dia, Ilhéu das Rolas, Pico Cão Grande e almoço com o chef João Carlos Silva. Grupos até 12 pessoas.

Grãos de cacau secos de São Tomé e Príncipe, um dos cacaus mais finos do mundo. Foto: Príncipe Collection
Roças a visitar na Ilha do Príncipe
Roça Sundy
Na Roça Sundy, a 29 de maio de 1919, a expedição de Arthur Eddington fotografou o eclipse total do Sol que confirmou a Teoria da Relatividade Geral de Einstein. Hoje é um hotel de charme, mas a casa senhorial, o terreiro e a placa comemorativa visitam-se com guia, e a comunidade continua a viver na roça.
Roça Belo Monte
A casa senhorial recuperada da Roça Belo Monte fica no alto, com a vista mais fotografada do Príncipe: a curva perfeita da Praia Banana. É hotel, mas também se pode almoçar.
Roça Terreiro Velho
Uma roça de cacau fino ligada ao chocolateiro Claudio Corallo, com um miradouro sobre a floresta e a baía. Quando há visitas, explica-se todo o processo do cacau ao chocolate.
Roça Porto Real e Roça Paciência
Duas grandes roças históricas do Príncipe, com ruínas de edifícios coloniais no meio da vegetação. Mostram o lado mais selvagem da ilha, onde a floresta voltou a tomar conta de tudo. Mais em o que fazer na Ilha do Príncipe.
Dormir numa roça
Dormir numa roça é uma experiência que não existe em mais lado nenhum: acordar numa casa colonial, no meio da floresta, com a comunidade a começar o dia lá em baixo. Na ilha de São Tomé há roças com quartos em diferentes níveis de conforto, das mais simples às mais cuidadas; no Príncipe, a Roça Sundy e a Roça Belo Monte são hotéis de charme. Comparamos as opções em hotéis em São Tomé e Príncipe e onde ficar na Ilha do Príncipe.
Como organizar a visita às roças
- Rota do Café (1 dia): Trindade, Roça Monte Café, Roça Saudade e Cascata de São Nicolau.
- Rota do Cacau, no norte (1 a 2 dias): Roça Agostinho Neto, Lagoa Azul e, com mais tempo, Roça Diogo Vaz.
- Costa este e sul (2 dias): Roça Água Izé, Boca do Inferno, almoço na Roça São João dos Angolares e Pico Cão Grande.
- Príncipe (3 a 4 dias): Roça Sundy, Roça Belo Monte, Roça Terreiro Velho e Roça Porto Real.
Veja como organizar a ilha por zonas em o que ver em São Tomé e Príncipe e o roteiro por São Tomé e Príncipe.

Cozinha tradicional santomense, com utensílios de madeira. Foto: Príncipe Collection
Visitar as roças com respeito
- Muitas roças são hoje aldeias habitadas: as casas são casas de pessoas, não cenários.
- Peça sempre autorização antes de fotografar pessoas, sobretudo crianças.
- Vá com um guia local, que conhece as comunidades e explica a história de forma honesta.
- Compre diretamente aos produtores: chocolate, café, artesanato. É a forma de o turismo deixar valor nas roças.
Perguntas frequentes sobre as roças de São Tomé
Qual é a roça mais bonita de São Tomé?
Depende do que procura: a Roça Agostinho Neto pelo impacto da arquitetura, a Monte Café pelo café e pela altitude, a São João dos Angolares pela comida e a Sundy, no Príncipe, pela história.
Qual é a maior roça de São Tomé e Príncipe?
A Roça Água Izé, na costa este da ilha de São Tomé.
É preciso pagar para visitar as roças?
Em algumas roças paga-se uma pequena entrada ou uma contribuição para a comunidade; noutras a visita é livre. Os museus e as visitas guiadas têm preço próprio.
Pode-se dormir numa roça?
Sim. Há várias roças recuperadas com quartos, tanto em São Tomé como no Príncipe, das mais simples aos hotéis de charme.
Porque é que a Roça Agostinho Neto tem esse nome?
Chamava-se Roça Rio do Ouro e foi rebatizada depois da independência em homenagem a Agostinho Neto, primeiro presidente de Angola.
Roças de São Tomé com guia local
Em todas as nossas viagens visitamos as roças com guias santomenses oficiais, que conhecem as comunidades e a história de cada lugar. Veja a viagem São Tomé 8 dias: Paraíso Desconhecido, o circuito São Tomé e Príncipe de Lés a Lés ou fale com a nossa equipa.