
São Tomé e Príncipe · 8 min
Roças de São Tomé e Príncipe: as 12 Que Vale a Pena Visitar (2027)
Luciano Baetz · 11 October 2026
As roças de São Tomé e Príncipe que vale a pena visitar: Agostinho Neto, Monte Café, Água Izé, São João dos Angolares, Sundy e Belo Monte, a história do cacau e onde dormir numa roça.
Quais são as roças de São Tomé e Príncipe que vale a pena visitar? As mais impressionantes são a Roça Agostinho Neto, com o seu antigo hospital e a longa avenida de edifícios coloniais; a Roça Monte Café, com o museu do café; a Roça Água Izé, a maior do arquipélago; a Roça Sundy, no Príncipe, onde se confirmou a teoria de Einstein; e a Roça São João dos Angolares, famosa pelos almoços do chef João Carlos Silva. Visitar as roças é a melhor forma de perceber a história e o presente de São Tomé e Príncipe.
Neste guia explicamos o que é uma roça, quais visitar em cada zona das duas ilhas, em quais se pode dormir e como encaixá-las num roteiro, com as recomendações da nossa equipa local.
Neste artigo
- O que é uma roça em São Tomé e Príncipe
- Uma história de café, cacau e trabalho forçado
- Roças a visitar na ilha de São Tomé
- Roças a visitar na Ilha do Príncipe
- Dormir numa roça
- Como organizar a visita às roças
- Visitar com respeito
- Perguntas frequentes
O que é uma roça em São Tomé e Príncipe
Em São Tomé e Príncipe, roça é o nome das grandes plantações agrícolas criadas no período colonial, sobretudo para o café e o cacau. Cada roça era uma pequena cidade: casa do administrador, hospital, armazéns, secadores de cacau, oficinas, capela e as sanzalas, as casas dos trabalhadores. Algumas tinham caminho de ferro próprio e ligação ao mar.
Depois da independência, em 1975, as roças foram nacionalizadas e muitas entraram em declínio. Hoje há de tudo: roças em ruína engolidas pela floresta, roças onde vivem comunidades inteiras nas antigas sanzalas e roças recuperadas como hotéis de charme e restaurantes.
Uma história de café, cacau e trabalho forçado
No século XIX, o café e depois o cacau transformaram as ilhas. No início do século XX, São Tomé e Príncipe chegou a ser um dos maiores produtores de cacau do mundo. Essa riqueza assentou no trabalho de contratados trazidos de Angola, Cabo Verde e Moçambique, em condições muito duras — uma história que ainda pesa e que os guias locais contam sem rodeios.
Visitar uma roça é, por isso, mais do que ver edifícios bonitos: é perceber como se formou o país e conhecer as comunidades que hoje vivem nesses lugares. Contamos a parte do cacau no artigo sobre o cacau de São Tomé.
Roças a visitar na ilha de São Tomé
Roça Agostinho Neto (norte)
Antiga Roça Rio do Ouro, rebatizada depois da independência com o nome do primeiro presidente de Angola, a Roça Agostinho Neto é uma das mais impressionantes do país. Uma longa avenida sobe entre edifícios coloniais até ao antigo hospital, um edifício monumental hoje em ruína. Fica a cerca de meia hora da capital, no caminho para a Lagoa Azul, e ainda hoje é habitada por centenas de pessoas.
Roça Monte Café (centro)
Nas terras altas, acima da Trindade, a Roça Monte Café foi fundada no século XIX e tem um pequeno museu do café que mostra o processo desde a planta até à chávena. É o ponto de partida da Rota do Café, com o fresco da altitude e vistas sobre a floresta.
Roça Saudade (centro)
Também nas terras altas, a Roça Saudade é o lugar onde nasceu o artista Almada Negreiros, em 1893. Tem um espaço dedicado à sua memória e um restaurante com vista sobre a floresta, uma paragem perfeita para almoçar na Rota do Café.
Roça Água Izé (costa este)
A Roça Água Izé é a maior do arquipélago e uma das primeiras a cultivar cacau em São Tomé. Os edifícios em ruína à beira-mar, o antigo hospital e os armazéns contam a história do cacau que fez do país um dos maiores produtores do mundo. Fica no caminho para o sul.
Roça São João dos Angolares (sul)
Recuperada e com vista sobre a baía, a Roça São João dos Angolares é famosa pelos longos almoços de cozinha santomense criativa do chef João Carlos Silva, com uma sucessão de pequenos pratos feitos com produtos da ilha. Tem também quartos e uma galeria de arte. Reserve com antecedência.
Roça Diogo Vaz (noroeste)
Para lá de Neves, na costa noroeste, a Roça Diogo Vaz está ligada à produção de cacau de qualidade e fica numa das zonas mais bonitas e menos visitadas da ilha, perto do túnel de Santa Catarina e das praias de areia negra.
Roça Bombaim e as roças do interior
No interior da ilha, entre a floresta e os rios, há várias roças mais isoladas, algumas com alojamento simples. São boas bases para caminhadas no Parque Natural Ôbo, mas exigem estradas lentas e, por vezes, 4x4.

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Roças a visitar na Ilha do Príncipe
Roça Sundy
Na Roça Sundy, a 29 de maio de 1919, a expedição de Arthur Eddington fotografou o eclipse total do Sol que confirmou a Teoria da Relatividade Geral de Einstein. Hoje é um hotel de charme, mas a casa senhorial, o terreiro e a placa comemorativa visitam-se com guia, e a comunidade continua a viver na roça.
Roça Belo Monte
A casa senhorial recuperada da Roça Belo Monte fica no alto, com a vista mais fotografada do Príncipe: a curva perfeita da Praia Banana. É hotel, mas também se pode almoçar.
Roça Terreiro Velho
Uma roça de cacau fino ligada ao chocolateiro Claudio Corallo, com um miradouro sobre a floresta e a baía. Quando há visitas, explica-se todo o processo do cacau ao chocolate.
Roça Porto Real e Roça Paciência
Duas grandes roças históricas do Príncipe, com ruínas de edifícios coloniais no meio da vegetação. Mostram o lado mais selvagem da ilha, onde a floresta voltou a tomar conta de tudo. Mais em o que fazer na Ilha do Príncipe.
Dormir numa roça
Dormir numa roça é uma experiência que não existe em mais lado nenhum: acordar numa casa colonial, no meio da floresta, com a comunidade a começar o dia lá em baixo. Na ilha de São Tomé há roças com quartos em diferentes níveis de conforto, das mais simples às mais cuidadas; no Príncipe, a Roça Sundy e a Roça Belo Monte são hotéis de charme. Comparamos as opções em hotéis em São Tomé e Príncipe e onde ficar na Ilha do Príncipe.
Como organizar a visita às roças
- Rota do Café (1 dia): Trindade, Roça Monte Café, Roça Saudade e Cascata de São Nicolau.
- Rota do Cacau, no norte (1 a 2 dias): Roça Agostinho Neto, Lagoa Azul e, com mais tempo, Roça Diogo Vaz.
- Costa este e sul (2 dias): Roça Água Izé, Boca do Inferno, almoço na Roça São João dos Angolares e Pico Cão Grande.
- Príncipe (3 a 4 dias): Roça Sundy, Roça Belo Monte, Roça Terreiro Velho e Roça Porto Real.
Veja como organizar a ilha por zonas em o que ver em São Tomé e Príncipe e o roteiro por São Tomé e Príncipe.
Visitar as roças com respeito
- Muitas roças são hoje aldeias habitadas: as casas são casas de pessoas, não cenários.
- Peça sempre autorização antes de fotografar pessoas, sobretudo crianças.
- Vá com um guia local, que conhece as comunidades e explica a história de forma honesta.
- Compre diretamente aos produtores: chocolate, café, artesanato. É a forma de o turismo deixar valor nas roças.
Perguntas frequentes sobre as roças de São Tomé
Qual é a roça mais bonita de São Tomé?
Depende do que procura: a Roça Agostinho Neto pelo impacto da arquitetura, a Monte Café pelo café e pela altitude, a São João dos Angolares pela comida e a Sundy, no Príncipe, pela história.
Qual é a maior roça de São Tomé e Príncipe?
A Roça Água Izé, na costa este da ilha de São Tomé.
É preciso pagar para visitar as roças?
Em algumas roças paga-se uma pequena entrada ou uma contribuição para a comunidade; noutras a visita é livre. Os museus e as visitas guiadas têm preço próprio.
Pode-se dormir numa roça?
Sim. Há várias roças recuperadas com quartos, tanto em São Tomé como no Príncipe, das mais simples aos hotéis de charme.
Porque é que a Roça Agostinho Neto tem esse nome?
Chamava-se Roça Rio do Ouro e foi rebatizada depois da independência em homenagem a Agostinho Neto, primeiro presidente de Angola.
Roças de São Tomé com guia local
Em todas as nossas viagens visitamos as roças com guias santomenses oficiais, que conhecem as comunidades e a história de cada lugar. Veja a viagem São Tomé 8 dias: Paraíso Desconhecido, o circuito São Tomé e Príncipe de Lés a Lés ou fale com a nossa equipa.