Chocolate de São Tomé: Diogo Vaz, Claudio Corallo e Onde Provar o Melhor Chocolate do Mundo

São Tomé e Príncipe · 7 min

Chocolate de São Tomé: Diogo Vaz, Claudio Corallo e Onde Provar o Melhor Chocolate do Mundo

· 06 de novembro de 2026

O chocolate de São Tomé que ganhou em Paris o prémio de melhor do mundo, a história de Claudio Corallo e onde provar e comprar chocolate na ilha.

Qual é o melhor chocolate de São Tomé? Os dois nomes que tem de conhecer são a Diogo Vaz, cujo chocolate foi distinguido como o melhor chocolate do mundo no Salão do Chocolate de Paris em 2023, e Claudio Corallo, o agrónomo italiano que passou décadas a afinar um cacau sem o amargor habitual. Os dois fazem o chocolate na própria ilha, do cacaueiro à tablete, e os dois recebem visitas com prova. Neste guia explicamos o que distingue cada um, onde provar o chocolate de São Tomé durante a viagem e o que trazer para casa.

Se procura a história do cacau e das grandes roças, leia primeiro o nosso artigo sobre o cacau de São Tomé. Aqui falamos do que vem depois: o chocolate.

Favas de cacau secas de São Tomé e Príncipe, a matéria-prima do chocolate de São Tomé

Favas de cacau secas, prontas para virar chocolate. Foto: Príncipe Collection

Porque é que o chocolate de São Tomé é tão bom

No início do século XX, São Tomé e Príncipe chegou a ser o maior produtor de cacau do mundo e ganhou o nome de ilha do chocolate. Hoje produz muito menos, mas produz melhor: o cacau cresce em solo vulcânico, à sombra da floresta, e boa parte é biológico. A grande diferença está no que mudou nas últimas décadas. Antes, a ilha exportava favas para serem transformadas na Europa. Agora, há quem faça o chocolate na própria ilha, controlando cada passo, da colheita à fermentação, da torra à tablete. É isso que se prova numa visita à Diogo Vaz ou ao Claudio Corallo.

Diogo Vaz: o chocolate premiado em Paris como o melhor do mundo

A Roça Diogo Vaz

A Roça Diogo Vaz fica na costa noroeste da ilha de São Tomé, no distrito de Lembá, a caminho de Santa Catarina. Foi fundada pelos portugueses em 1880 e, depois de anos de abandono, voltou a produzir cacau pela mão da empresa Kennyson. Hoje é uma plantação biológica onde se cultivam sobretudo duas variedades, o Amelonado e o Trinitário, e onde todo o cacau usado nas tabletes vem das próprias árvores da roça.

Desde 2018 a roça tem a sua própria fábrica de chocolate. É o modelo a que os chocolateiros chamam tree to bar (da árvore à tablete): nada sai da ilha antes de estar transformado em chocolate.

O prémio de melhor chocolate do mundo

Em 2023, o chocolate Diogo Vaz recebeu o prémio de melhor chocolate do mundo no Salão do Chocolate de Paris, um dos maiores encontros do setor, que nesse ano juntou cerca de 230 expositores de 38 países. Não foi a primeira distinção: em 2016, uma tablete negra de 75% feita com cacau da roça já tinha ganho ouro no mesmo salão. Para um país tão pequeno, é a prova de que o cacau santomense voltou ao topo, agora em forma de chocolate.

Claudio Corallo: o italiano que tirou o amargor ao cacau

Claudio Corallo nasceu em Florença, em 1951, e formou-se em agronomia. Trabalhou com café no antigo Zaire e, em 1992, mudou-se para São Tomé e Príncipe. Na Ilha do Príncipe recuperou uma plantação de cacau abandonada, a Roça Terreiro Velho, e em São Tomé, perto de Monte Café, cultiva café na Nova Moca.

O que o tornou conhecido foi uma obsessão: tirar ao cacau o amargor que quase todos dão por adquirido. Montou um laboratório ao lado de casa e passou anos a testar novas formas de fermentar as favas até chegar a um processo próprio. O cacau cresce no Príncipe e é transformado em chocolate na cidade de São Tomé, onde muitos viajantes fazem a prova guiada. Quem já foi conta que a explicação é longa e apaixonada, com chocolates de várias percentagens para comparar.

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Diogo Vaz ou Claudio Corallo: qual provar?

A resposta honesta é: os dois, porque são estilos diferentes.

  • Onde nasce o cacau: a Diogo Vaz usa cacau da própria roça, na costa noroeste de São Tomé; Claudio Corallo usa cacau da Roça Terreiro Velho, na Ilha do Príncipe.
  • Quem faz: a empresa Kennyson, numa roça fundada em 1880; Claudio Corallo, agrónomo italiano na ilha desde 1992.
  • O que os distingue: na Diogo Vaz, o cacau biológico Amelonado e Trinitário e a fábrica na própria roça; no Corallo, a fermentação própria, pensada para tirar o amargor ao cacau.
  • Reconhecimento: a Diogo Vaz ganhou o prémio de melhor chocolate do mundo no Salão do Chocolate de Paris em 2023; o chocolate de Corallo é considerado por muitos especialistas um dos melhores do mundo.
  • Onde provar: a Diogo Vaz na roça, no norte da ilha; o Corallo na cidade de São Tomé.

Onde provar chocolate em São Tomé

  • Claudio Corallo, na cidade de São Tomé: é a prova mais fácil de encaixar, porque fica na capital. Combina bem com uma manhã a conhecer a cidade e o que ver na ilha.
  • Roça Diogo Vaz, no noroeste: a roça organiza provas e visitas à fábrica. Como fica na mesma costa da Rota do Cacau, junta-se facilmente a esse dia. Confirme sempre os horários antes de ir.
  • Cooperativas da Rota do Cacau: no distrito de Lembá há cooperativas onde se acompanha todo o processo artesanal, da colheita à secagem ao sol, e se compra cacau e chocolate feito no local.
  • Mercado Central de São Tomé: para comprar cacau em pó, favas e tabletes diretamente a quem produz.

Uma dica de quem lá anda: prove o fruto fresco do cacau. A polpa branca, doce e ácida, à volta das favas, é uma surpresa que quase ninguém associa ao chocolate.

O que trazer e como transportar

Tabletes de chocolate, favas de cacau e cacau em pó são as lembranças mais pedidas. São leves e fáceis de oferecer. O único cuidado é o calor: o chocolate derrete com facilidade em São Tomé, por isso guarde-o no sítio mais fresco do alojamento e leve-o bem embrulhado na bagagem de porão. Se se esquecer de comprar, a Diogo Vaz vende também online em Portugal.

Ruínas de uma antiga roça de cacau engolida pela floresta tropical em São Tomé

As antigas roças de cacau contam a história que deu origem ao chocolate de São Tomé.

Provar chocolate na viagem connosco

O chocolate faz parte da forma como mostramos a ilha:

Veja todas as excursões em São Tomé e Príncipe e, para conhecer as roças uma a uma, o nosso guia das roças de São Tomé e Príncipe.

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A Vamos Fugir é uma agência licenciada pelo Turismo de Portugal (RNAVT n.º 4155), com equipa própria em São Tomé. Veja todas as viagens e siga-nos no Facebook e no Instagram.

Fontes: STP-Press e Forbes África Lusófona (prémio de Paris, 2023); Cocoa Runners e Réussir (Roça Diogo Vaz); Wikipédia e The Other Hundred (Claudio Corallo). Horários e provas podem mudar: confirme antes de ir.

Perguntas frequentes

Os mais conhecidos são o da Diogo Vaz, distinguido como melhor chocolate do mundo no Salão do Chocolate de Paris em 2023, e o de Claudio Corallo, feito com cacau da Ilha do Príncipe. São estilos diferentes e vale a pena provar os dois.

Sim. A Roça Diogo Vaz, na costa noroeste da ilha de São Tomé, organiza provas e visitas à fábrica. Confirme os horários antes de ir.

Na cidade de São Tomé, onde o cacau vindo da Ilha do Príncipe é transformado em chocolate e onde se faz a prova guiada.

A Diogo Vaz vende online em Portugal, e há chocolate de São Tomé em lojas gourmet e de produtos biológicos. Na ilha encontra mais variedade e prova-o acabado de fazer.

É uma das variedades tradicionais de cacau cultivadas em São Tomé. A Diogo Vaz usa-a nas suas tabletes, a par do Trinitário.